quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma linda mulher

‘Pensava que ser bonita era algo inalcançável para uma mulher comum como eu’.

Quando eu era uma menininha, pensava que agente ficava em uma fila no céu para requerer a nossa vida.

Imaginei um anjo grande com imponentes asas me dizendo: “você irá se tornar uma mulher. Muito bem, o que você gostaria de ter? Pernas bonitas? Fama? Dinheiro?

Inocentemente, respondi a ele, “se for possível, senhor, eu queria ter... uma personalidade peculiar”. Então, sem tempo para reconsiderações – zap! – eu nasci e aqui estou.

Uma vez eu perguntei ao meu irmão se ele me achava bonita, ele me olhou por trás da partitura e disse para eu sair. “Darnell, é sério”. Então, comecei a choramingar. “Eu sou bonita?” A única forma de me tirar dali era me respondendo, ele tomou fôlego, olhou nos meus olhos e começou a tocar.

“Seu rosto está bem”, disse enfim. “Você tem uma personalidade única. Você está bem”.

“O que significa isso?”, minha voz cresceu. “O que você está dizendo, é que sou uma gorda que age como uma idiota?”.

“Não foi isso o que eu disse”, falou calmamente e voltou a tocar.

“Não é isso o que você disse? É exatamente isso o que você disse!”, aí eu cuspi nele. “Você disse que nenhum homem vai me querer porque eu sou feia e estúpida. Eu quero ver você jurar então!”

Bem, esta foi minha vida. Eu sempre lutei contra complexos de feiúra e inadequação. Minhas amigas tinham boa aparência, tinham belas pernas, e dentes bonitos. Elas me convidavam para a gente se reunir. Eu me reunia era na bandeja de fruta de Natal. Elas se tornaram rainhas de festa e líderes de torcida, enquanto eu me afundava cada vez mais, sonhando ser modelo, esperando acordar bonita.

Até que um dia conheci Jesus. Uma amiga tinha me convidado para ir à igreja. Enquanto eu cantava em coral com outras pessoas, fui tomada por um sentimento de culpa e indignidade. Como esse Deus sobre quem eu estava cantando podia amar uma gorda feia como eu? Mas durante o culto descobri que Deus verdadeiramente me amava – exatamente como eu sou. Naquele dia aceitei o amor e o sacrifício de Deus por mim. Por várias vezes tive a certeza de que Ele me amava mais do que eu podia imaginar e que eu era bonita do modo que mais importava – por dentro.

Mas meus sentimentos negativos não desapareceram imediatamente. Às vezes, eles surgiam intensamente, mas eu lutava para expulsá-los, encontrando com as minhas amigas Diana e Leona para almoçar, por exemplo.

Eu tinha trinta e poucos anos, tendo minhas primeiras experiências sexuais, solteira, e doente. Aquele não foi um bom dia. Nós almoçamos num restaurante local e o tema da conversa logo mudou para homem.

“E então, como o Eugenio está?”, perguntou a Diana.

Leona gesticulou a mão. “Oh, por favor, não”, ela respondeu.

“Você não tem mais visto ele?”, perguntei.

“Garota, isso foi há duas semanas”, ela respondeu. “E não estávamos apaixonados, estávamos só nos conhecendo”.

“Oh”, disse Diana e eu juntas.

“Não, mesmo.”, enfatizou Leona, e começou a listar os homens que ela conheceu recentemente.

“O que eu queria saber é quando e onde você conheceu esses caras?”, perguntou Diane.

Leona olhou seriamente, como se não estivesse gostando daquilo ali. Eu já estava na borda da minha cadeira, pronta para fazer algumas anotações. Na primeira oportunidade, correria pro banheiro e anotaria tudo em um papel de banheiro. Ela pegou um pedaço do seu sanduíche e o comeu com concentração.

“Por favor , responda a pergunta”, pensei comigo. Estava segurando minha respiração. Meu pensamento pendia entre a resposta da Leona e o bife no prato. Ela demorou muito. Peguei e coloquei seu prato no outro lado da mesa. “Conta tudo!”, falei.

Leona se irritou como se eu estivesse querendo machucar seus sentimentos, até que ela virou seus olhos. Ela nunca teve aquele olhar antes. Era feio. Meu olhar exalava inveja. Isso expôs meu desespero e meu anseio, sentimentos que toda mulher cristã necessita para crescer. Eu já estava cansada de ser uma pessoa de hábitos estranhos. Eu queria um homem.

“Onde estão os homens? Como arranjar um?”, cochichei.

Leona lambeu os beiços, mas me mantive firme. Sem informação, sem sanduíche.

Eu venci.

“Vocês sabem como isso é”, ela disse, “você sai para a rua e um homem te convida para sair”.

“Hum”, respondi. Obviamente, eu morava no bairro errado. Olhei para Diane. Ela lembrou que estava de boca cheia e fechou.

“Vocês sabem como são essas coisas”, continuou Leona. “Hoje em dia você não pode sair andando por aí que um homem pára pra falar com você”.

“Não, Leona”, disse, “eu não sei como são essas coisas”.

“Ah, vocês sabem sim”, ela insistiu.

Eu reparei em Leona. Ela estava toda bonita da cabeça aos pés. Seus movimentos eram suaves e naturais, sua voz macia e sutil. Seu cabelo estava todo no lugar, e suas roupas caiam muito bem. Eu tentei lembrar a última vez que fui ao salão e pensei no sutiã velho que eu estava usando, preso com um alfinete. Achei muito inadequado.

“Os homens te chamam pra sair toda vez que anda na rua?” perguntei a Diane, enquanto voltávamos pra casa.

“Não”.

“Nem a mim. Você acha que eu deveria mudar de rua?”

Minha amiga me olhou com atenção. Aquele olhar me lembrou muito meu irmão.

Ao nos despedirmos, tive uma idéia. Isso me surgiu do nada, como uma vontade de comer chocolate. Eu corri para casa e entrei no quarto, me despi, e fiquei ali, nua na frente do espelho. Depois do choque inicial, eu examinei meu corpo por cada ângulo que se possa imaginar, procurando encontrar minha melhor parte. “Se eu conseguir acentuar o que tenho de melhor, serei chamada para sair a todo tempo”, pensei comigo. Contudo, finalmente me vesti, prestando um favor à humanidade.

Com a auto-estima abalada, curvei minha cabeça e estava pronta para me jogar na cama em desespero, quando vi minha bíblia perto do travesseiro. Eu abri no Salmo 139, “por modo assombrosamente maravilhoso me formaste”, versículo 14.

“Eu sei Deus, mas...”, comecei a protestar. Depois, as palavras de 1 Samuel 16 me vieram à mente, “O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração”.

Fiquei pensativa por alguns momentos, depois, hesitante. Levantei e tornei a me reparar no espelho. “Bem Senhor”, eu disse olhando para o meu nem tão perfeito corpo, aquela ampla imagem, “a tua palavra diz que eu sou especial, então devo ser mesmo”. Fiz uma pequena oração de agradecimento e fui fazer a melhor coisa que poderia fazer naquele momento. Fui fazer compras.

Leona está casada agora. Ela diz que estava simplesmente andando na rua. “Vocês sabem como é o centro da cidade, você passa por uma loja e os rapazes saem, eles te chamam para sair; te chamam para casar. Então, um dia...”

Eu andei por aquela rua centenas de vezes e nenhum dono de loja ou balconista me perguntou alguma coisa, nem mesmo que horas eram. Foi difícil, mas acostumei o meu ser a encarar a realidade. Eles deviam estar ocupados com clientes quando eu passava por lá. Com certeza, eles nunca tinham lido 1 Samuel antes.

Perguntei ao meu irmão recentemente. “Darnell, eu sou bonita?”

Ele sorriu. “Você é uma pérola preciosa, uma linda e adorável mulher”, ele disse.

Você não tem idéia do quanto nós melhoramos nesses anos.


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Via Cristianismo Hoje

domingo, 8 de março de 2009

Mulher, caminho pelo qual Deus veio aos homens


O único caminho que nos leva a Deus é o Homem Jesus Cristo
Porém, o caminho que nos trouxe Deus foi a Mulher.
O bom pastor só poderia entrar pela porta em Seu aprisco
Seria possível que viesse por outro caminho qualquer?

Antes de habitar em nós pelo Espírito Santo
Deus Se hospedou no ventre de uma mulher
Hoje Ele sopra aqui e em qualquer canto
Enchendo de graça a quem Ele quiser

Fez do Corpo da Mulher Seu santuário
Aconchegou-se bem perto do coração
Por nove meses Se fez solitário
Gerado em silêncio, sem chamar atenção

Ela é a vacina contra o mal da solidão
Sem ela o Éden não é jardim, mas só sertão
Ela é a esquina que leva à estrada do futuro
Ela é a menina que aponta o norte que eu procuro
E se alguém do futuro nos visitar vier
Em vez de pular o muro
Terá que passar pela mulher


Autor: Hermes C. Fernandes em 4/3/9
Minha humilde homenagem na Semana em que se
comemora o Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher está relacionado aos movimentos socialistas feministas dos fins do século XIX ao início do século XX, que reivindicavam a igualdade entre homens e mulheres em todas as áreas da sociedade.

O primeiro Dia da Mulher foi comemorado em Chicago em 3 de maio de 1908, onde 1500 mulheres reclamavam igualdade de direitos com os homens. Em 1909 foi comemorado em Nova Iorque em 28 de fevereiro, e enfatizava o direito da mulher ao voto. Em 1910, foi comemorado em 27 de fevereiro, após um período de mais de três meses de greve, na qual 80% dos grevistas eram mulheres. Tal greve chamou a atenção da sociedade da época para a situação precária das mulheres.

Em 1911, inspiradas pelas mulheres norte-americanas, as alemãs celebram o dia da Mulher em 19 de março, e as suecas em primeiro de maio. Na Rússia, ainda sob o regime dos Czares, as mulheres que celebraram o Dia da Mulher foram duramente reprimidas, chegando a ser presas. Mas o movimento foi ganhando vulto internacional.

Em cada país era celebrado numa data diferente e sempre enfatizava o direito das mulheres ao voto. Em 1914, as alemãs comemoram no dia 8 de março, escolhendo essa data mais por questões práticas do que em homenagem a algum acontecimento especial.

Em 1922, o Dia Internacional da Mulher foi oficializado em 8 de março. O motivo do por que esta data foi escolhida tem duas histórias:A história mais popular é que esse dia homenageia as 129 mulheres mortas em 1857 em Nova Iorque que reivindicavam melhores condições de trabalho. O dono da fábrica de tecidos Cotton trancou suas funcionárias em uma mesma sala e depois ateou fogo no prédio, queimando-as vivas. Elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e um salário mais justo.

A outra história refere-se às mulheres russas, que em 1917 escolheram o Dia da Mulher de para fazerem uma greve contra a fome, a guerra e o regime czarista. As operárias deixaram as fábricas e saíram às ruas, atraindo a massa popular a tal ponto, que o incidente deu início a Revolução Russa e que derrubou o regime czarista. Isso ocorreu em 23 de fevereiro no calendário russo, que coincide com o 8 de março do calendário ocidental (gregoriano). Em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas propôs o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, em comemoração à atitude das mulheres russas.

Independentemente da realidade à escolha desta data o 8 de março está aí firme e forte. No ano 2000, o 8 de março foi celebrado com a Marcha Mundial das Mulheres que mobilizou mulheres de 161 países contra a fome e a violência contra o sexo feminino.

No Brasil, podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Ana César [ Via - Pavablog ]

Feliz Dia Internacional da Mulher!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

SALMO DE QUEM PÕE AMOR EM TUDO

Feliz quem põe amor nas coisas,
Pois as coisas terão sentido,
Em contrapartida, pobre daquele que lhes retira o amor,
Porque tudo o que fizer se tornará vazio.

Feliz quem faz tudo por amor,
Pois o amor dá cor à vida,
Muda-a e faz com que se veja de outra forma,
Tudo o que é pesado, dificultoso, monótono...
se torna diferente quando o amor marca presença.
Mesmo tudo o que há de penoso nos mandamentos,
se torna completamente suave pelo amor.

Feliz quem se deixa conquistar pelo amor,
porque não há nada tão insensível e tão de ferro
que não possa ser moldado e fundido
pelo fogo do amor.

Feliz, também,
quem enche o pobre com a plenitude do seu amor,
porque a plenitude do amor de Deus
encherá a sua própria pobreza.

Felizes nós
se amarmos de coração a quem nos fez
e aos que connosco foram feitos,
porque amando o próximo a quem vemos,
limpamos os olhos para ver a Deus, a quem não vemos:
pois não há escada mais segura para subir ao amor de Deus,
do que o amor dos homens ao seu semelhante.

Ponhamos, pois, amor em tudo o que fizermos!
Porque as boas obras não se definem pela sua quantidade,
mas pela sua finura;
nem pelo peso, mas pela sua qualidade:
nem pelo quê, mas pelo porquê.

Ponhamos amor em tudo o que fizermos!
Se fizermos a paz, façamo-la por amor
Se nos lamentarmos, lamentemo-nos por amor.
Se corrigirmos, corrijamos por amor,
Se perdoarmos, perdoemos por amor...

Procuremos que o amor crie raízes nas nossas almas,
Pois dessa raiz só pode sair o bem;
Porque quem ama pode fazer o que quiser,
dizer o que quiser e viver como quiser.

(Composição e adaptação de vários pensamentos de Sto. Agostinho)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Dia dos Braços Estendidos

Doação que gera renovação!
O próximo dia dos Braços Estendidos será na Sexta-feira da Paixão, quando
cristãos do mundo inteiro celebram o maior gesto de amor da História.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Doar sangue é doar vida e amor

Ontem, domingo, 25 de Janeiro, a REINA - Igreja do Futuro promoveu "O Dia dos Braços Estendidos". Cerca de 50 reinistas de Parque Fluminense, Engenho Novo, Duque de Caxias e Nilópolis foram em caravana para a Sede da Hemorio no Centro do Rio de Janeiro, para doar sangue.

Foi gratificante ver aquela turma alegre, vibrante, encarnando a mensagem do amor e da graça de Jesus Cristo.

Gostaríamos que esta iniciativa incentivasse outras igrejas a fazer o mesmo. Não se trata de estratégia evangelística, mas apenas demonstrar o amor de Deus de maneira despretensiosa. Acredita-se que a cada doação de sangue, entre três e quatro vidas serão beneficiadas. Sendo assim, a campanha dos Braços Estendidos abençoou pelo menos 150 pessoas.


Esta campanha foi idealizada pelo jovem Wilton, reinista de Parque Fluminense. Na primeira vez em que foi realizada, cerca de quinze pessoas atenderam ao convite e compareceram à Hemorio. Esta foi a segunda edição, e tivemos um crescimento de mais de 200%.

A próxima edição está sendo programada para Abril, e nossa meta é triplicar o número de doadores.

O "Dia dos Braços Estendidos" é promovido pelo Projeto Tesouro Escondido desenvolvido pelo Instituto Defensores do Futuro, braço social da REINA.

Agradeçemos pelos pastores que estiveram na linha de frente conosco, entre eles, meu esposo Bispo Hermes Fernandes, Rev. Alexandre de Paula e sua esposa Pra. Odisséa, Pr. Cecílio Jr. e sua esposa Diaconiza Leah, Rev. Everaldo Silva, Pra. Claudia e Pr. Eddmilson.

Lembre-se que a renovação que almejamos só será possível onde houver doação.

A doação de sangue nos oferece um boa analogia disso. O sangue que doamos é reposto pelo organizamos em 24 horas.

Tudo o que fazemos pelo bem de nosso semelhante de maneira despretensiosa, nos proporciona renovação, além da maravilhosa sensação de gratificação.

Infelizmente, há muita desinformação, e por isso, muitos que poderiam doar, se negam a fazê-lo. Seja por medo, por preconceito, ou por qualquer outra razão.
Já imaginou se todas as igrejas promovessem uma campanha como esta? Quantas vidas seriam salvas?
Pregar o amor é relativamente fácil. Mas somos desafiados por Deus a encarnar o amor. Da próxima vez, embarque nesta conosco. Não desperdice a oportunidade de fazer o bem.
Quem sabe, quando chegarmos lá na glória eterna, algum desconhecido se aproximará de você pra agradecer por ter-lhe salvo a vida?
Podem doar sangue pessoas entre 18 e 65 anos, pesando acima de 50 quilos. Para maiores informações, visite o site da Hemorio. Ou se preferir, ligue 0800 2820708
Jamais se esqueça: "Que as mesmas mãos que estendemos a Deus em louvor, sejam estendidas ao próximo em Amor".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

É possível ter saudade do futuro?

“Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante” (Carlos Drummond de Andrade).

“Saudade”. Sem dúvida uma das mais belas palavras de nossa língua. Uma das únicas que não podem ser traduzidas pra nenhum outro idioma.


Embora só exista “saudade” em português, este sentimento é comum a todos os povos e culturas. Temos saudade do que passou, de pessoas que se foram, de experiências que vivemos, e até daquilo que fomos um dia.


Mas a pior das saudades é a saudade do futuro.

Como é possível sentir saudade do que ainda não vivemos? Que sentimento é esse?


Imaginemos uma mulher grávida, que subitamente aborta o filho. Mesmo sem nunca tê-lo embalado em seu colo, nem tê-lo visto, o que ela sente é saudade. Não é saudade da barriga preponderante, mas de um futuro que jamais se concretizará. Saudade de toda expectativa investida. Saudade de um choro de criança que ela jamais ouvirá.


É uma sensação estranha, porém, real. Cada momento que vivemos está grávido do futuro.

O futuro é fruto do casamento entre a eternidade e o agora.


Às vezes temos a sensação de que o futuro foi abortado. É esta sensação que produz em nós um tipo de saudade do futuro.


O sábio Salomão diz que Deus “pôs a eternidade no coração dos homens” (Ec.3:11). Em outras palavras, Deus fecundou nossa alma com a semente da eternidade.


Nosso corpo está sujeito ao tempo, mas nossa alma nos conecta diretamente à eternidade. E é por isso que Paulo declarou: “Por isso não desfalecemos. Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co.4:16).


Se a fé nos conecta à eternidade, a esperança nos conecta ao futuro.


Há situações que enfrentamos em nosso dia a dia que parecem destruir nossa esperança. Aos poucos, a esperança vai cedendo lugar ao desespero. E quando isso acontece, não é apenas o corpo que se consome, mas também o homem interior.


Jó experimentou isso na pele e na alma:


“O meu espírito vai-se consumindo, os meus dias vão-se apagando, e só tenho perante mim a sepultura”. Jó 17:1


Isso me lembra uma cena do filme “De volta para o futuro”, em que o protagonista volta ao passado, e percebe que uma foto que ele trouxera do futuro está se apagando, pelo fato de seu passado estar sendo alterado, e seu futuro comprometido.


Não há como retornar ao passado para alterar o presente ou o futuro. Mas podemos viver o presente comprometidos com o futuro.


Quando vivemos sem qualquer perspectiva, nosso espírito vai se consumindo, quando a vontade de Deus é que ele se renove dia após dia. É nosso homem exterior que se corrompe com o tempo. Nosso espírito tem que ser constantemente renovado. A esperança é a fonte da juventude, onde nosso espírito deve mergulhar para manter-se sempre jovem e disposto.


Se nosso espírito for consumido pela falta de perspectiva, nossos dias desbotarão, e a vida perderá sua cor. Então, só nos restará uma possibilidade: a sepultura.


Nossos dias se apagam, quando nosso futuro se desvanece. Quando já não temos expectativas, nem esperança.


Era assim que Jó se sentia.


“Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, e as aspirações do meu coração (...). Se a única casa pela qual espero for a sepultura, se nas trevas estender a minha cama, se à corrupção clamar: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã, onde estará então a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?” Jó 17:11,13-15


Lembremo-nos que a fé que nos conecta à eternidade. Mas é a esperança que nos impulsiona para o futuro. Quando a esperança se esvai, temos que recorrer à fé.


Paulo diz que devemos atentar “nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas (...). Andamos por fé, e não por vista” (2 Co. 4:18; 5:7).


O futuro não pode ser abortado, mas a esperança sim. E se ela tem sido sabotada pelas circunstâncias adversas, somente a fé poderá restaurá-la.


Foi o que aconteceu a Abraão, que “em esperança, creu contra a esperança, que seria feito pai de muitas nações (...). E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo amortecido” (Rm.4:18a,19a).


Soa estranho para nós o fato de alguém crer contra a esperança. A fé deve ter primazia sobre a esperança.


A fé nos faz acessar a eternidade, onde o futuro já é presente, um presente que ainda não foi desembrulhado.


Na definição do autor sagrado, “a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hb.11:1).


Nossa fé deve estar voltada para Aquele que “chama a existência as coisas que não são, como se já fossem” (Rm.4:17).


O que ainda será na perspectiva do tempo, já o é na eternidade.


Crer contra a esperança, é, ao mesmo tempo, crer aliado à esperança. É transcender o tempo e o espaço, e vislumbrar a eternidade.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"A Favorita", o fim de um engano

Esta semana a Rede Globo exibe os últimos capítulos da novela "A Favorita". Mesmo quem não acompanha novelas assiduamente (como é o meu caso!), já ouviu inúmeros comentários acerca deste fenômeno da dramaturgia nacional.

Lembro que logo nas primeiras semanas de exibição, os telespectadores foram pegos de surpresa quando descobriram que estavam torcendo pela personagem errada. Todos imaginavam que a mocinha era Flora (magistralmente representada pela atriz Patrícia Pillar), enquanto a vilã era Donatela (Claudia Raia). Sentimo-nos todos enganados, traídos. O diretor conseguiu nos ludibriar. Fomos todos vítimas de uma pegadinha.

As pessoas comentavam no salão de beleza, no supermercado, na fila do banco. A maioria dizia que não daria mais audiência àquela novela.

Muitos acharam que o diretor havia cometido uma espécie de suicídio autoral. Como ele poderia resgatar a credibilidade de sua obra?

Por incrível que pareça, a segunda metade da novela alcançou índices ainda maiores de audiência.

Todos queriam saber que fim teria a maligna Flora, aquela que conseguiu nos enganar a todos.

Não foi preciso muita criatividade para que João Emanuel Carneiro, o autor de "A Favorita" elaborasse um enredo tão surpreendente. Bastaria olhar para a História para verificar a freqüência com que as pessoas optam pelo lado errado.

Entre Jesus e Barrabás, quem foi o "favorito" daquela turba enraivecida?

Muitos também se deixaram ludibriar por Absalão, o filho ingrato de Davi, que além de seduzir boa parte da população de Jerusalém, fez com que seu próprio pai fosse visto como um vilão.

Falta espaço para relatar tantos outros casos em que o mocinho se tornou vilão, e o vilão se fez passar por mocinho.

Por isso, não podemos julgar preciptadamente. Nosso coração costuma ser susceptível ao engano.

Por trás de muitas caras angelicais, se escondem verdadeiros demônios. Enquanto que por trás de muitos rostos sisudos, se escondem seres humanos incríveis e amorosos.

Cuidado para que você jamais se deixe enganar, e tome partido pelo erro. Peça que o Espírito Santo lhe conceda discernimento de espíritos. Voz macia, olhos piedosos, jeito carinhoso, muitas vezes servem de disfarce para lobos vorazes.

Confesso que já me enganei inúmeras vezes. Já me surpreendi com pessoas que eu julguei mal, como também já me decepcionei com outras em quem acreditei de todo o meu coração.

Com isso, tenho aprendido a observar mais e a ler nas entrelinhas, buscando discernir as intenções do coração.

Não tenho mais favoritos, tampouco quero ser favorito de ninguém.